Coteminas volta ao berço

Confira abaixo reportagem publicada na revista IstoÉ Dinheiro que fala sobre a compra da MMArtan pela Coteminas e os planos de expansão da marca.

 

A empresa que nasceu como uma loja de tecidos em Minas Gerais quer atuar no varejo até mesmo na China.

Josué Gomes da Silva, presidente

Josué Gomes da Silva, presidente

Na terça-feira 5, o empresário Josué Gomes da Silva assinou o contrato de aquisição de 65% da M. Martan, rede de lojas de produtos de cama, mesa e banho. A transação já havia sido anunciada ao mercado, mas só foi oficialmente selada na semana passada com a assinatura. Assim, a Coteminas, maior empresa têxtil do País, controlada por Josué, coloca seus pés no varejo. A rigor, seria uma volta às origens, já que a companhia nasceu de uma pequena loja de tecidos aberta na cidade de Caratinga (MG) pelo pai de Josué, o atual vice-presidente da República José Alencar. Desta vez, porém, a investida da família Silva parece ser o primeiro passo de planos mais ambiciosos. Num futuro não muito distante, Josué pretende levar a marca M. Martan para a Argentina. Ao mesmo tempo, iniciou estudos de mercado para atuar no varejo na China, com lojas próprias. “O ritmo desses investimentos dependerá da conjuntura e do desenrolar da crise mundial, mas a decisão está tomada”, afirma Josué. A verticalização da companhia acontece num momento delicado de sua trajetória. A incorporação, a partir de 2005, da Springs, maior fabricante do setor nos EUA, revelou-se dolorosa e cara. Das 12 fábricas da empresa em território americano, restaram apenas cinco. Boa parte do parque industrial das unidades de lá foi transferida para as plantas brasileiras. Só a redução da estrutura industrial nos Estados Unidos absorveu US$ 200 milhões. “Além disso, o grupo demorou a reagir à recessão americana”, diz um analista de um banco de investimentos. “A Coteminas apostou numa retração passageira e não em uma crise profunda.” Os altos custos desse processo e a queda nas vendas americanas se refletiram no balanço do grupo. Em 2008, o faturamento bateu em R$ 3,6 bilhões, mas o lucro ficou em pouco mais de R$ 13 milhões. “É um resultado absurdo”, diz Josué. “É muito esforço para pouco ganho.”

A entrada no varejo é vista como um importante passo para mudar esse estado de coisas. Para essa nova empreitada, a Coteminas pretende utilizar a experiência de varejo acumulada pela M. Martan, em mais de 20 anos de existência. Fundada em meados da década de 80 por Marilena Martan e suas duas filhas, a rede possui hoje 84 unidades espalhadas pelo País. Seu público é formado, sobretudo, por consumidores das classes A e B – e essa foi uma das características que atraíram a atenção da Coteminas. As famosas marcas da companhia têxtil, como Santista, Artex e Garcia, atendem clientes da classe média. “Em nosso portfólio, faltava justamente uma grife para os consumidores de poder aquisitivo mais elevado”, diz Josué. “Com a M. Martan, preencheremos essa lacuna. Nossas marcas não brigam entre si. Elas se completam.” A grife também será utilizada para a primeira incursão internacional do varejo da Coteminas. O destino será a Argentina, um mercado com “traços europeus, muito próximo do estilo das peças fabricadas e comercializadas pela M. Martan”, como diz Josué. 

Josué e Marilena, fundadora da M. Mmartan: próxima parada da marca é a Argentina

Josué e Marilena, fundadora da M. Mmartan: próxima parada da marca é a Argentina

Já para a China, a estratégia será diferente. Lá, os pontos de venda estamparão o nome Wansutta. Trata-se de uma tradicional marca americana de artigos de mesa, cama e banho, que pertence à Coteminas desde a aquisição da americana Springs em 2005. “Já testamos a marca no mercado chinês e a aceitação foi muito boa”, garante Josué. Além disso, o mercado chinês não é propriamente um mistério para os brasileiros. A Coteminas já atua no país há alguns anos, através de uma trading que mantém parcerias com fabricantes locais de produtos têxteis. Uma atuação mais contundente no mercado chinês vinha sendo cobrada, diz Josué, pelos próprios executivos locais da empresa. Segundo eles, há espaço no país para marcas que reúnam tradição e sofisticação, como a Wansutta.

“Nosso lucro foi absurdo”

A seguir, trechos da entrevista de Josué Gomes da Silva à DINHEIRO:

Dinheiro – Por que comprar a M. Martan?
Josué Gomes
É uma marca voltada para o consumidor de alta renda, que faltava em nosso portfólio. É uma grife complementar às nossas. Além disso, a empresa possui um processo de desenvolvimento de produtos sofisticadíssimo que poderemos utilizar amplamente em nosso negócio. Também teremos um contato direto com o consumidor.

Dinheiro – Analistas dizem que a Coteminas demorou a se voltar para o mercado brasileiro, quando a recessão americana explodiu. A M. Martan ajudaria nisso?
Gomes
Nos EUA, os contratos da indústria com o varejo são de um ou dois anos. No Brasil, as encomendas são mensais. Lá, não é possível deixar de atender um varejista do dia para a noite.

Dinheiro – Isso explica os resultados ruins da empresa?
Gomes
O lucro de 2008 foi um absurdo. É muito esforço para pouco ganho. Mas nesse resultado estão incluídos os custos da reestruturação nos EUA, com o fechamento de fábricas e demissões. Em contrapartida, praticamente reconstruímos nossas unidades no Brasil e as transformamos nas mais modernas do mundo.

Os planos mais fortes de expansão, porém, estão reservados para o mercado interno. As metas de Marilena e das filhas incluem a duplicação do número de lojas no período de três anos. O dinheiro viria justamente do aporte feito pela Coteminas. Parte dos R$ 55 milhões pagos para as três empreendedoras teve como destino o caixa da companhia. “Com esses recursos, é possível zerar o endividamento”, diz Josué. “O custo de financiamento para a empresa era altíssimo. Os bancos judiaram demais. Pelo que eles cobravam, não queriam o desenvolvimento do negócio.” Agora, o nome Coteminas, com sua força financeira, contribuirá para puxar os juros cobrados da M. Martan para baixo. Mesmo com essas vantagens, Josué não garante a duplicação da rede. “Nossa limitação pode ser capacidade de preparar recursos humanos para essa expansão”, diz ele. A gestão da marca permanecerá nas mãos de Marilena e das duas filhas. As três participarão do conselho de administração recém-criado. A Coteminas terá quatro representantes. Está nas mãos desses sete profissionais a missão de transformar a Coteminas numa empresa tão relevante no comércio quanto é no varejo.

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