Brasileiro aprende a comprar e puxa vendas nas liquidações

Diferentemente do passado, o consumidor gasta menos no Natal para aproveitar promoções de início de ano

Com suas necessidades básicas de consumo satisfeitas, o brasileiro agora começa a alcançar uma posição na qual pode planejar seus gastos. Isso inclui, por exemplo, esperar as liquidações de início de ano para comprar o que não precisa ser adquirido antes do Natal. E é aí que as vendas para acabar com os estoques também passam a ganhar importância para o comércio.

Essa maturidade na hora das compras só começa a ser alcançada pela sociedade, contudo, em razão da conjuntura positiva: há 32 trimestres consecutivos o país registra crescimento do consumo das famílias, sustentado pelo aumento da renda e pelo nível de emprego em alta. “O consumidor está mais crítico em relação aos gastos. Isso é resultado de um longo período consecutivo de recuperação do poder aquisitivo”, diz Alex Agostini, economista da Austin Rating.

E o ano começa com perspectivas bastante positivas para o consumo no Brasil. Com as contas razoavelmente controladas e o acesso ao crédito em alta, os consumidores ainda vão receber um bom dinheiro extra ao longo do primeiro trimestre: além da entrada em vigor em janeiro do novo salário mínimo (reajustado em R$ 77,00), os trabalhadores de diversas categorias, como metalúrgicos e gráficos, receberão valores altos referentes à participação nos lucros das empresas – que tem pagamento obrigatório até março.

A expectativa é que pelo menos R$ 50 bilhões sejam injetados na economia neste período, que tradicionalmente concentra pagamentos de tributos como IPVA, IPTU e matrículas escolares. “Esses valores são altos e trazem injeção grande de dinheiro à economia. O fato de o reajuste do mínimo já começar a vigorar em janeiro antecipa o movimento do consumo, diferentemente do que ocorre em anos nos quais o aumento só vem em abril ou maio”, diz Fernanda Della Rosa, assessora econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio).

As liquidações do varejo-tradicionais nesta época do ano – também têm servido como impulso ao aumento dos gastos. Depois de um Natal com desempenho aquém do esperado pelos lojistas, as vendas são facilitadas nesse período para redução total dos estoques. Muitos comerciantes, aliás, já começam a adotar a estratégia de fixar parcelas de até R$ 69, ou seja, que caibam no bolso do consumidor que terá R$ 77 de aumento no salário.

E o desempenho do consumo dos brasileiros na primeira semana deste ano confirma essa perspectiva otimista. Os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apontam alta de 6,6% nas consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) no período. No fim de dezembro, o indicador apontava um crescimento de 1,7%.

“As liquidações, especialmente de eletroeletrônicos, puxaram esse bom desempenho no período”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP. Ele explica que a inflexão positiva do indicador de venda neste início de 2012 mostra trajetória contrária à registrada no começo de 2011, quando o SPC teve queda nos primeiros dias de janeiro, em relação a dezembro de 2010, passando de 11% para 8,8%.

Quem liquidou concorda: “Estamos otimistas porque a Liquidação Fantástica é sempre um termômetro de como será o primeiro trimestre do ano”, afirma o diretor de Marketing e Vendas do Magazine Luiza, Frederico Trajano. No ano passado, o evento superou as expectativas, que eram de crescer 10% em relação a 2010.



Fim da sazonalidade 



Outro reflexo que o bom desempenho das liquidações tem trazido é o fim da sazonalidade no varejo. “Acabou aquela história de que as coisas no Brasil só começavam a acontecer depois do carnaval”, diz Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto. “Também vale a estratégia de esticar as promoções e liquidações para além de janeiro”, completa Cherto.

Com essas mudanças, todo o varejo tem se reestruturado para buscar os clientes em qualquer época. “Vai vender bem quem for mais eficiente e tiver departamentos comerciais e de marketing bem estruturados”, afirma José Eduardo Amato Balian, professor de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

“Estamos otimistas porque a Liquidação Fantástica é sempre um termômetro de como será o primeiro trimestre do ano



Salário

48 milhões De brasileiros, em média, têm o salário mínimo como referência de pagamento e receberão reajuste de R$ 77 a partir do início de fevereiro.

Recursos

R$ 50 bi É a expectativa de injeção de recursos na economia em razão do reajuste do salário mínimo. Parte disso vai para o pagamento de dívida e parte para o consumo.

Varejo

4% Do total do faturamento do varejo é o que representam os R$ 50 bilhões que entrarão na economia em razão do reajuste do mínimo a partir de fevereiro.

Ganho real

7% É o cálculo de aumento real que correspondem ao reajuste de 14% no salário mínimo, considerando a inflação de 6,5% no ano, que reduz o poder de compra.

Fonte: Brasil Econômico – 12/01/2012

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