Expansão apresenta desafios ao franqueado

As franquias brasileiras faturaram R$ 89 bilhões em 2011, segundo levantamento divulgado no início do mês pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). O resultado representa crescimento de 16,9% em relação a 2010, quando a receita foi de R$ 76 bilhões.

Esse desempenho tem a ver com os grandes eventos esportivos que o País receberá, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Por isso, não é de se estranhar que o setor de hotelaria e turismo tenha crescido 85,9% no período.

Ainda segundo a ABF, o segmento de móveis, decoração e presentes registrou bom desempenho (alta de 35%), seguido pelas empresas que atuam no ramo de esportes, saúde, beleza e lazer (24,3%) e no segmento de negócios, serviços e outros varejos (14,9%). O setor de alimentação teve alta de 14,5%.

O número de redes chegou a 2.031, alta de 9,5% em relação ao ano passado. Dessa maneira, a feira promovida pela ABF em junho deste ano deverá se tornar a maior do mundo, com 500 expositores, superando a Franchise Expo Paris.

Além dos eventos esportivos, o mercado de franchising tem se fortalecido em decorrência do desempenho da economia, da elevação da renda da população e do poder de compra de investidores e consumidores.

Poder aquisitivo
Só no ano passado, o consumo interno das famílias registrou alta de 4,1%. “Empresas ligadas ao aumento do poder aquisitivo da classe C são as que mais crescem e devem continuar prosperando, especialmente no interior”, diz o diretor da ABF, Ricardo Camargo.

Mas esse ótimo desempenho passa a exigir cada vez mais conhecimento e capacidade dos candidatos a franqueados. A expansão acelerada fez com que marcas conceituadas ganhassem mercado rapidamente e reduzissem as oportunidades para novos investidores. Elas também endureceram os critérios de seleção e chegam a registrar fila de espera para abertura de novas unidades.

O resultado disso foi que empresas menos estruturadas e com pouca experiência ingressaram no setor, o que acarretou uma série de queixas. A expansão das microfranquias (negócio que exige baixo investimento inicial e até dispensa o ponto comercial), por exemplo, preocupa as lideranças do setor.

A Associação Brasileira de Franchising, inclusive, criou um comitê para discutir o segmento no ano passado. “Queremos montar uma cartilha de orientação para que o candidato tenha clareza sobre as necessidades e barreiras desse negócio”, revela Ricardo Camargo.

Imóveis comerciais
O alto custo dos pontos comerciais nas capitais é outro dilema a ser equacionado. “Algumas marcas estão repensando seus formatos ou migrando para o interior do País porque o aluguel nos grandes centros chega a impedir que o franqueado alcance o payback (tempo necessário para que o lucro iguale o valor investido)”, diz o consultor Marcelo Cherto.

O mercado de trabalho aquecido — a taxa de desemprego não é superior a 6% — também fez com que o problema da mão de obra chegasse nas franquias. “As marcas devem incentivar seus investidores a criarem programas de retenção e motivação de talentos porque muitas vezes ele quer fazer algo, mas não sabe como”, diz Cláudia Bittencourt, outra consultora do setor de franchising.

Após ser obrigado a trocar 90% do quadro de funcionários em 2010, Renato Munhoz, dono de duas lojas da Cachaçaria Água Doce em Ribeirão Preto, precisou agir. Ele desenvolveu por conta própria um programa que premia funcionários com remuneração variável conforme o cumprimento de algumas metas, que vão desde o volume de vendas até ações simples como registrar o cartão de ponto.

A iniciativa deu certo e Munhoz reduziu em 60% os problemas com o ponto eletrônico e em 70% as ausências sem justificativa. “O reconhecimento faz o funcionário gostar do que faz. Hoje converso mais com eles para saber o que pensam”, diz o empreendedor, cuja gestão virou referência para toda a rede.

Fonte: Jornal da Tarde

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