México na esteira

24/01/2012

Fachada da Franchise Store MéxicoNossa classe média não é a única disposta a comprometer o salário para tentar manter-se em forma. Depois de dois anos em atividade, a Smart Fit, modelo econômico de academias do grupo Bio Ritmo, com mensalidade de R$ 49, chega a 36 unidades no Brasil, inaugura as duas primeiras no México e planeja multiplicar-se pela América Latina.

A expansão internacional da nova marca é resultado de uma parceria com a Sport City, rede mexicana de academias premium com 46 unidades e faturamento anual de US$ 200 milhões. A Bio Ritmo tem receita anual de US$ 70 milhões e 26 academias com a bandeira que leva seu nome. Em março do ano passado, Edgard Corona, CEO da Bio Ritmo, foi à principal feira do setor, em Los Angeles, decidido a fazer negócio com seu modelo de academia “low cost”.

A Smart Fit, ele afirma, tem uma margem pequena, precisa ter volume para gerar lucro. Carlos Gomez Andonaegui, CEO da Sport City, conta que, na época, já estudava lançar um modelo de “gimnasio” mais barato para explorar o potencial da classe média mexicana como mercado consumidor de produtos de fitness.

A Latamgym, empresa encarregada de propulsionar o crescimento da Smart Fit no México e na América Latina, surgiu no ano passado como resultado dessa complementaridade de interesses. A companhia tem sede no México e gestão compartilhada entre Bio Ritmo e Sport City. Segundo Corona, a marca deve, a partir da plataforma brasileira, chegar ao Chile nos próximos anos.

A base mexicana ficará encarregada da expansão pela região que compreende Colômbia e Guatemala. O modelo da Smart Fit se baseia em uma operação enxuta e de fácil replicação. As academias não têm aulas coletivas nem piscina, apenas sala de musculação. Cada unidade comporta cerca de três mil usuários. A inscrição de novos alunos pode ser feita pela internet e os instrutores dão atendimento personalizado apenas em horário agendado. A ambientação e os aparelhos são semelhantes aos das unidades premium. Aqui e no exterior, as academias são idênticas. “Parece que você não saiu do Brasil”, brinca Gomez. Com as inaugurações previstas para este ano – 24 aqui e 12 no México – a Smart Fit somará 74 unidades.

A Sport City faz parte do grupo Martí, dono da rede de lojas departamento Deportes Martí, com 200 unidades no México. Juntas, as duas geraram US$ 450 milhões em vendas em 2011. Alejandro Martí, fundador da empresa, afastou-se da companhia em 2008, quando seu filho de 14 anos fora sequestrado e assassinado. Desde então, ele tem se dedicado à militância contra o crime organizado.

As redes de academia brasileiras oferecem um tipo de serviço único e que é muito valorizado no exterior, por isso suas franquias têm grande chance de sucesso, assim como as lojas de moda do porte de Havaianas, Richards e Arezzo, com design internacional e forte apelo para gringos. Essa é a opinião do sócio-fundador do Grupo Cherto, Marcelo Cherto, que aponta os dois setores como apostas para o México, onde a empresa faz sua primeira investida com a Franchise Store, loja de franquias pioneira no mercado.

A empresa atraiu os olhares da consultoria de franquias Feher&Feher, a maior do México. Para não “atropelar” os colegas brasileiros, os mexicanos propuseram a Cherto e seus sócios uma parceria para a abertura da Franchise Store na Cidade do México. O primeiro escritório acaba de ser inaugurado, com investimento de US$ 110 mil.

“O plano inicial de expansão era no Rio de Janeiro, mas o custo do imóvel lá inviabilizou a ideia”, diz Cherto. O escritório começa com 20 funcionários e 110 marcas mexicanas no cardápio. A expectativa é chegar ao fim de 2012 com 200 negócios fechados. “Vamos trabalhar com marcas do Brasil que queiram entrar no México e vice-versa”, conta Cherto. A meta é que o braço internacional represente 25% do faturamento total em cinco anos. Depois de consolidada a parceria com a Feher&Feher, o objetivo é levar a Franchise Store a países como Colômbia, Chile, Peru e Equador.

Fonte: Valor Econômico

image

icone-facebookicone-twittericone-linkedin


Empresas estrangeiras miram no Brasil e buscam parceiros

16/06/2011
PAULA NUNES | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
10/06/2011 – 07h14

De olho na América Latina, empresas estrangeiras escolhem o Brasil para iniciar suas estratégias de expansão dos negócios.

Uma delas é a espanhola Charanga, marca especializada em moda infantil, que vai inaugurar em setembro sua primeira loja deste lado do Atlântico.

Ao contrário de boa parte das redes estrangeiras que se instalam por aqui, a Charanga não busca um máster-franqueador: ela está montando uma filial no Brasil para negociar franquias.

"Acreditamos que, a partir daqui [do Brasil], vamos crescer em outros mercados. Afinal, estamos nos estabelecendo no ponto mais importante da América Latina", resume o diretor internacional de marketing da marca, Iria Villar.

Roupas coloridas e bom acabamento são, na visão de Villar, os grandes trunfos de sua empresa. "O investimento total é de R$ 300 mil para uma loja de 60 m²."

image

A marca de relógios belga Ice Watch também entra no mercado nacional apostando no colorido.

Desenvolvendo o conceito de "artigo fashion", em que acessórios devem combinar com roupa e ocasião, o empresário Bernardo Grein Cavalcanti, 26, assumiu a comercialização de franquias da marca e espera que, em um ano de operação no país, consiga contabilizar 30 quiosques.

Para poder ser o distribuidor dos relógios aqui, Cavalcanti conta que foram quatro meses de negociação com o franqueador. E o empresário garante que "não tem pressa" de vender as franquias.

"Queremos pessoas com perfil empreendedor, que entendam o espírito da marca. É melhor um crescimento planejado do que um boom que gere dor de cabeça depois", diz.

Segundo o empresário, o fato de o modelo de negócios ser baseado em quiosques e não em lojas também facilita e barateia o acesso à marca.

O investimento inicial é de R$ 115 mil, dos quais R$ 40 mil respondem pelo estoque de mercadorias.

A franquia tem quiosques em 102 países em cinco anos de existência e planeja expandir para outros países da América do Sul.

MAIOR INTERESSE

"O Brasil nunca esteve tão no foco de expansão das redes mundiais como agora, e o país é visto como porta para toda a América Latina", afirma Wagner Lopes D’Almeida, diretor da Global Franchise Consulting.

Segundo o consultor, as empresas estrangeiras estão de olho no poder de consumo da classe média brasileira e sentem-se confortáveis em formar parcerias com empreendedores de um país politica e economicamente estável.

"Tenho mais de 40 empresas querendo entrar aqui", confidencia.

Para as companhias estrangeiras, as franquias de potencial mais promissor são as de alimentos, seguidas pelas de serviços e as de varejo.

Funcionário da Salad Creations manipula alimento em loja do Shopping Higienópolis, em São Paulo

Acreditando nessa perspectiva, Victor Giansante, 26, sócio-proprietário da Salad Creations, trouxe a marca dos EUA para o país há três anos.

"Julgamos que a rede é uma tendência e não um modismo e, por isso, nos tornamos distribuidores das franquias não só no Brasil como também em alguns países vizinhos", diz.

Para Filomena Garcia, diretora da Franchise Store, empresa de comercialização de franquias, o maior interesse dos parceiros brasileiros é por modelos de negócios inovadores executados lá fora e sem correspondência por aqui.

"Para as empresas multinacionais, crescer no Brasil passou a ser estratégico. Só neste ano, mais de dez companhias nos procuraram para entrar no nosso mercado", diz.

image